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REVELA ESTUDO DE INVESTIGADORES DA UNIVERSIDADE DOS AÇORES - Queda de relâmpagos em solo vulcânico é perigosa

REVELA ESTUDO DE INVESTIGADORES DA UNIVERSIDADE DOS AÇORES - Queda de relâmpagos em solo vulcânico é perigosa

Lugares como os Açores podem ser particularmente afetados pela queda de relâmpagos.

   A queda de relâmpagos em solo vulcânico pode representar perigo acrescido, revela um estudo levado a cabo por cinco investigadores do Centro de Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos da Universidade dos Açores.
   A investigação de Vittorino Zanon, Fátima Viveiros, Catarina Silva, Ana Rita Hipólito e Teresa Ferreira data de 2007 e partiu da análise de um caso ocorrido em 2006 em São Miguel. Nesse ano, no mês de outubro, um raio atingiu a ilha durante uma tempestade.
   Foram feitas medições de temperatura e gás numa área de três metros quadrados, onde deflagrou um incêndio subterrâneo, seguido da emissão de uma coluna de gases e fumo.
   O fogo subterrâneo foi acompanhado durante uma semana e revelou um pico de emissões de 3.4% de dióxido de carbono, proveniente de um local com uma profundidade de 40 centímetros.
   Uma semana depois do impacto do raio, as medições de temperatura no local revelaram um valor máximo de 326º dentro do solo e 516.5º sobre num bloco de lava a 20 centímetros de profundidade.
   "O processo de combustão estendeu-se durante dez dias, apesar da ocorrência de outras tempestades violentas, até que foi artificialmente extinguido pelas escavações necessárias à obtenção dos dados para o estudo. Esta circunstância evidencia o potencial perigo natural causado por este tipo de ocorrência atmosférica, sobretudo num lugar onde a natureza vulcânica do solo pode facilmente enganar observadores inexperientes e, consequentemente, atrasar as ações adequadas", pode ler-se no estudo.
  
   COMBUSTÃO LENTA
   De acordo com os investigadores, concluiu-se que, no caso do solo atingido por um raio em São Miguel, a combustão foi lenta, tendo consumido quase todo o combustível disponível. Por outro lado, a matéria existente no local não permitiu a drenagem da chuva, o que vez com o que raio descarregasse a sua energia apenas à superfície, derretendo a área de impacto.
   A presença de camadas não perturbadas, ao mesmo tempo, favoreceu a acumulação de combustível e a redução do oxigénio disponível.
   Segundo os especialistas, foi posta de parte a hipótese de o magma ter provocado um aumento da temperatura do solo e a emanação de alguns gases, uma vez que não foram detetados gases sulfurosos.
   Ainda assim, dizem, a libertação de dióxido de carbono aconteceu e pode ser perigosa, porque este gás sem cor e sem cheiro, em concentrações altas, pode levar à asfixia.
   "Nas circunstâncias em que o estudo foi desenvolvido, este problema não representou um perigo real, porque o gás diluiu-se facilmente no ar. No entanto, ao analisarmos os perigos, é preciso considerar a eventualidade de um fogo subterrâneo deflagrar em áreas habitadas. Neste cenário, a libertação de gases tóxicos pode ser muito perigosa", adiantam.
   Neste caso, recorde-se, a ação humana foi fundamental para impedir o desenvolvimento do fogo. De acordo com os investigadores, sem esta atuação, a combustão do solo poderia ter ocorrido durante mais tempo, pelo menos enquanto houvesse combustível. A temperatura do solo manter-se-ia igual, dadas as características do lugar.
   "Resumindo, a continuação deste processo poderia ter representado um risco muito sério, caso a quantidade de matéria orgânica sob o solo fosse abundante", referem.
Os especialistas do Centro de Vulcanologia da Universidade dos Açores lembram que o perigo das descargas dos relâmpagos para pessoas e animais sempre foi reconhecido. Por outro lado, avançam, os fogos causados pela queda de raios podem expandir-se pela vegetação, causando graves entraves económicos. 


2012-07-26 por Marcos Sousa Lima Carreiro (marcos) em Diário Insular

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