"Coisas de Agora" é o título do livro que o historiador Avelino Meneses lança em setembro. Trata-se de uma visão que vai além do arquipélago, sempre com a História como âncora e com o cenário da crise atual como pano de fundo.
Em declarações a DI, o antigo reitor da Universidade dos Açores sustentou que a obra foi buscar muito às intervenções que realizou nessas funções, ao longo dos anos.
"Escrito, mas sobretudo compilado, no meio de uma profunda crise, que também alastra nos Açores, este livro identifica os instrumentos e os recursos, que melhor garantem a redescoberta e a consolidação de vias de desenvolvimento", avança, numa nota prévia disponibilizada a DI. "Entre eles, o exercício da autonomia, o arrimo europeu e as potencialidades do ambiente, por exemplo, a exploração do mar. Acima de tudo, o investimento nas pessoas, com maior incidência nos jovens, porque serão os construtores do futuro, e nos seniores, dotados de uma maior esperança de vida, que terá de ser necessariamente mais útil", acrescenta.
"Por isso, se releva o valor do conhecimento, pois é dele que hoje mais depende o progresso das sociedades e a felicidade dos homens. Claro que tudo isto beneficia da adoção de valores, que não dispensa a avaliação crítica da tradição", prossegue, no mesmo texto.
No entanto, o livro salta as fronteiras do arquipélago para olhar mais além. "Este não é um livro sobre os Açores! No entanto, foi feito a pensar nos Açores, na sua história, na sua atualidade, no seu destino, nas suas vivências intrínsecas e nas suas afinidades extrínsecas", ressalva.
"Muito mais do que estudos, estes escritos são profundamente devedores de um já longo exercício do ofício de historiador, depois perturbado pelo desempenho das funções de reitor da Universidade dos Açores, que obrigou à ponderação de diferentes problemas e à revelação de novas inquietações. Embora três dos textos conheçam a luz do dia já depois do retorno às lides da História, consequente do cumprimento da missão reitoral, não disfarçam de todo a herança de um punhado de interesses, companheiros inseparáveis das caminhadas do futuro", sumariza.
"Este não é um livro de Ciência! Não resulta de uma investigação porfiada, movida pelo propósito da inovação, que reverta no acréscimo e na reforma do conhecimento. Este não é um livro de História! Não radica na reconstituição intencional do passado humano, servida por métodos e por interpretações, que aclaram as vivências de outrora", deixa claro.
"Mesmo assim, esta coletânea não afronta o carácter científico, resultante de uma atualização permanente de opiniões. Do mesmo modo, não menospreza a verdade histórica, que facilita o entendimento do presente e a projeção do futuro", promete.
Os temas
São várias as temáticas que Avelino Meneses trata em "Coisas de Agora. O historiador e a actualidade".
A obra incluída na coleção da "Letras Lavadas edições" olha as Autonomias, a Globalização e o Conhecimento, passando por matérias como "Portugal do apogeu à decadência", "Os Açores na regeneração de Portugal" ou "O papel da Universidade dos Açores".
São também abordados os campos das "Autonomias, Autonomia e Independência"; "As Ilhas de Portugal na Construção da Europa" ou o Mar enquanto detentor de potencial futuro."Ambiente e História: o caso dos Açores"; "A Crise e os Jovens"; Os Avós na Sociedade Contemporânea" e "O Nosso Mundo visto por ..." são outros ângulos incluídos na obra.
O livro inclui também uma entrevista dada a DI em novembro de 2011.
Nessa entrevista, Avelino Meneses defendia que os Açores têm que decidir se continuam presos a uma lei de "rendimento mínimo" ou se reivindicam o aproveitamento das oportunidades enquanto região marítima e estratégica no meio do Atlântico que liga o mundo ocidental.
"As ilhas possuem outras soluções. Na Europa, a exploração da decadência do estado-nação, perante o fortalecimento das regiões. No Mundo, o aproveitamento do mar - última janela de oportunidade da Humanidade", afirmava.