A ilha Graciosa vai receber uma estação meteorológica, a estabelecer pelo Departamento da Energia dos Estados Unidos, no âmbito do projeto ARM (Atmospheric Radiation Measurement-Medição da Radiação Atmosférica).Este projeto esteve no terreno na ilha, numa fase inicial, em 2009 e 2010. Agora,transita para a criação de instalações permanentes, que devem começar a funcionar em julho do próximo ano.
Representantes norte-americanos visitam em breve o arquipélago para avançar com o processo.
A Universidade dos Açores é um parceiro técnico e científico. De acordo com o professor da universidade açoriana e especialista em climatologia, Eduardo Brito de Azevedo, em causa está uma estação meteorológica que enriquecerá o conhecimento da comunidade científica internacional quanto ao clima desta zona do Atlântico.
"Vai ser possível medir aspetos até agora desconhecidos, que vão influenciar o comportamento dos modelos de previsão do estado do tempo, mas também os modelos climáticos, que necessitam de séries bem medidas e longas, se possível", explicou, em declarações prestadas à Antena 1- Açores.
Previsão nos Açores
De acordo com Eduardo Brito de Azevedo, em causa está também a mais-valia de se melhorar a previsão meteorológica no arquipélago. "Além da própria informação local que passamos a ter e que permite calibrar modelos locais, a informação que daqui resulta vai melhorar os modelos globais que são por nós utilizados, o que significa que, por essa via, também a previsão local vai ser aperfeiçoada", afirmou.
A informação a recolher pela nova estação meteorológica será, depois de validada, disponibilizada para toda a comunidade científica internacional, especificou Eduardo Brito de Azevedo.
O professor da Universidade dos Açores destacou que as autoridades regionais estiveram envolvidas no projeto desde a fase inicial, não se vislumbrando agora entraves à instalação da estação meteorológica na ilha Graciosa.
As obras para construção da infraestrutura podem arrancar ao longo deste ano.
Eduardo Brito de Azevedo destacou a excelente localização da Graciosa para estudo do clima em espaço atlântico.
Estudar o clima global
Um artigo sobre o projeto ARM especifica que um dos mais prolongados desafios encarados pelos cientistas para a compreensão e previsão do sistema climático do planeta é a falta de informação credível e recolhida ao longo de um considerável período de tempo, a partir de diversos pontos do globo.
O mesmo texto revela que dentro de dois meses, o Departamento da Energia dos Estados Unidos da América, através do projeto ARM, começará a avançar para dois novos pontos de observação do clima, um em Olitok Point, no Alasca e outro nos Açores (Graciosa).
"Os cientistas identificaram a necessidade de obter informação a partir destas regiões para avaliar e melhorar as simulações do clima a uma escala global, bem como as simulações para estas áreas sensíveis em termos de clima. Estes irão utilizar as medições dos novos pontos de observação para estudar a interação entre as nuvens e os aerossóis nestas regiões e a forma como esta se repercute no planeta", pode-se ler no mesmo artigo.
Os Açores juntam-se, assim, à rede já colocada no terreno pelo projeto ARM a nível global. Existem estações meteorológicas em vários locais dos Estados Unidos da América, bem como na Austrália ou na Papua Nova Guiné, bem como instalações móveis para observação. "Cada infraestrutura inclui quase duas dezenas de instrumentos que monitorizam vários elementos do clima, como as nuvens, os aerossóis, a precipitação, as energias solar e a termal e componentes básicos do estado do tempo", avança o texto, publicado esta semana.O artigo destaca que o tipo de nuvens que se verifica sobre os oceanos é tão comum como importante, influenciando a temperatura do mar ou a força dos ventos, entre outros aspetos centrais.